sexta-feira, 27 de março de 2009

O TEATRO BRASILEIRO NO MUNDO - DIA MUNDIAL DO TEATRO E CIRCO

O teatrólogo brasileiro Augusto Boal foi homenageado pela UNESCO no dia vinte e cinco de março de 2009, em Paris, em evento que comemora o Dia Mundial do Teatro (27 de março). A cerimônia aconteceu na Maison Fontenoy, em Paris. O evento teve participação dos membros do International Theatre Institute - ITI, do qual o Brasil é integrante. Além do discurso de Boal, foi exibido um vídeodocumentário sobre a atuação do Centro de Teatro do Oprimido no Brasil e no mundo. Houve também a exposição de fotos de alguns de seus trabalhos em diversas partes do mundo, a celebração da data também apresentou a peça "O cozinheiro disse para o coelho: vamos preparar o jantar?", de seu filho, Julián Boal.

Hoje também se comemora o Dia do Circo. A data foi escolhida para homenagear o palhaço brasileiro Piolin, que nasceu em 27 de março de 1897, na cidade de Ribeirão Preto (SP). Além de palhaço, Piolin era um grande ginasta e equilibrasta. Piolin foi também nome da primeira escola de circo do Brasil, criada em São Paulo, em 1977. Funcionava no estádio do Pacaembu.
Os palhaços de circo têm uma data especial: dia dez de dezembro o país comemora o Dia do Palhaço.

Para comemorar esse dia marcado para a história deixo o discurso deixado pelo novo embaixador mundial do teatro, Augusto Boal:

“Todas as sociedades humanas são espetaculares no seu cotidiano, e produzem espetáculos em momentos especiais. São espetaculares como forma de organização social, e produzem espetáculos como este que vocês vieram ver.

Mesmo quando inconscientes, as relações humanas são estruturadas em forma teatral: o uso do espaço, a linguagem do corpo, a escolha das palavras e a modulação das vozes, o confronto de ideias e paixões, tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro!

Não só casamentos e funerais são espetáculos, mas também os rituais cotidianos que, por sua familiaridade, não nos chegam à consciência. Não só pompas, mas também o café da manhã e os bons-dias, tímidos namoros e grandes conflitos passionais, uma sessão do Senado ou uma reunião diplomática --tudo é teatro.

Uma das principais funções da nossa arte é tornar conscientes esses espetáculos da vida diária onde os atores são os próprios espectadores, o palco é a plateia e a plateia, palco. Somos todos artistas: fazendo teatro, aprendemos a ver aquilo que nos salta aos olhos, mas que somos incapazes de ver tão habituados estamos apenas a olhar. O que nos é familiar torna-se invisível: fazer teatro, ao contrário, ilumina o palco da nossa vida cotidiana.

Em setembro do ano passado fomos surpreendidos por uma revelação teatral: nós, que pensávamos viver em um mundo seguro apesar das guerras, genocídios, hecatombes e torturas que aconteciam, sim, mas longe de nós em países distantes e selvagens, nós vivíamos seguros com nosso dinheiro guardado em um banco respeitável ou nas mãos de um honesto corretor da Bolsa --nós fomos informados de que esse dinheiro não existia, era virtual, feia ficção de alguns economistas que não eram ficção, nem eram seguros, nem respeitáveis. Tudo não passava de mau teatro com triste enredo, onde poucos ganhavam muito e muitos perdiam tudo. Políticos dos países ricos fecharam-se em reuniões secretas e de lá saíram com soluções mágicas. Nós, vítimas de suas decisões, continuamos espectadores sentados na última fila das galerias.

Vinte anos atrás, eu dirigi Fedra de Racine, no Rio de Janeiro. O cenário era pobre; no chão, peles de vaca; em volta, bambus. Antes de começar o espetáculo, eu dizia aos meus atores: - 'Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida'.

Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, gêneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.

Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos. Teatro não pode ser apenas um evento --é forma de vida!

Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!"

Referências Bibliográficas: UNESCO no BRASIL, Folha Online, G1Brasil Notícias


Um comentário:

Marcos Tavares disse...

E uma vez disseram para Diego não escrever sobre Teatro...

Eis a prova viva do porque de meu comentário ter sido tão polêmico anteriormente. Quando vejo um talento, reconheço um.

Prabéns ao mais novo Dramaturgo Diego Albuck e que ele escreva mais sobre Teatro, Arte, Letras ou sobre o que ele bem quiser!!

Viva!!