domingo, 6 de maio de 2012

Face a Face



Click.
O som traz ruído de sonho.
Oi.
Olá.
As palavras soam esperança.
Você me despertou.
Procuro um amigo.
A conexão acaba de cair.

JUAR


 Satisfação é um presente.
 Rostos iguais.
Sem precedentes.
Não sinto mais o teu gosto.
Carência será?
Cansei de viver de aparência.
Surgem pretendentes.
 Fantasmas, charadas, ciladas.
Paixonite é o mal do século.

Presente é ter razão.
Jamais outros.
Sem correntes.
Estou a cada dia mais livre.
Carência será?
Já se foi a paciência.
Existem concorrentes.
Conversas, entregas, esperas.
Paixonite é o mal do século.

sábado, 5 de maio de 2012

E Naomi não viajou...

Parecia uma corrida de obstáculos... Eram roupas espalhadas pela cama. Livros abertos, sapatos jogados... - Uma zona! Era a sua primeira afirmação do dia. - Quem pode ...pode! Pensava ela ao ver seu lindo santuário. Um aquário bagunçado era o seu quarto. - Por onde começo? Indaga aflita a pobre. Nobre era aquela cena... Tentava declarar uma guerra que já estava perdida. - Ao perdedor à vassoura! Suspirava. Os sapatos se recusaram a ajudar, as roupas nem sequer deram uma mãozinha. - Só me restaram os livros? Ela se assusta. - Prefiro os sapatos! Exclamou. Era um encanto, uma dança aquela caça aos calçados. Um balé desordenado, mas de fino trato. O impossível era achar cada par. - Estou destinada a solidão! Se olhando no porta-retratos. - Pensar nele agora já é demais! Joga o sapato no chão. - GerlaaaaaneeeCrissstiiinaaaaa, Você já arrumou seu quarto? Parecia ouvir uma alucinação, mas era a sua mãe que já dissera mais de três vezes que não via na filha nenhuma ação. Na mesma hora pensou em responder, achou melhor esconder os sapatos. - Você só saí daí com esse quarto arrumado, ouviu mocinha? Aquilo já era demais, há quase cinco anos morando só e ainda ouvia os mesmos trololós. - O jeito é a terapia! Sorria ela olhando para os livros. - Parece que estão vivos! Com medo e num só ímpeto escolhe as roupas. A armadura escolhida estava mais para trouxas. Separava tudo... Primeiro guardava as de sair, aquelas pilhas eram as suas preferidas. - Estou tão organizada! Falava satisfeita. Nem reparava que algumas roupas precisavam de acabamento, não se importava. Juntou tudo num montão e jogou dentro do guarda-roupa. Ao abrir não quis nem olhar, teve tanto medo que joga tudo lá. - Se eu for pensar em arrumar, nunca vou descansar. Fecha a porta com força. Se sentiu estranha, desolada. - Será que vai ser sempre assim? Pega um vestido encarnado que esqueceu em cima da cama.
 
- Como queria ser modelo! Deu um suspiro involuntário abraçando-se com o indumento. Naquele momento, pensou: - Vou ligar para ele! Lembrou-se do primeiro encontro que teve com o vestido, foi o maior presente de sua vida. Procura disparadamente o número que tinha anotado com muito gosto, muito amor. De repente para, uma vaga lembrança vem à tona: - Eu coloquei no livro de Literatura! Um medo se instaurou no quarto. Decidiu força a mente. - Folhear aquele livro seria um ato indecente. Disse ela desesperada. - A solução é arrumar a cama! Inquieta ela estava. Enquanto dobrava os lençóis, olhava-se no espelho e perguntava-se: - Como eles vieram parar aqui? Trocou olhares com os livros abertos. Ela preferia conviver com as baratas, ao tocar naqueles livros. - Eram dele. Cai uma lágrima de seu rosto. Lembrou que quandose foi a chamou de superficial. Desde aquele dia convivia com aquela herança intocada, aberta. Eterna ferida que não cessa. Ficou sem palavras e começou a chorar... Com raiva diz: - Superficial é o ca... Pega um livro. - Não o sei o que tem de tanto importante aqui. Folheia o livro. Passam páginas, imagens, títulos, palavras... Finalmente observa uma frase que diz: -“A conquista da liberdade é algo que faz tanta poeira, que por medo da bagunça, preferimos, normalmente, optar pela arrumação." Ela observa atentamente as palavras, mas nada a impressiona. Fecha aquele livro e pega um que estava debaixo da cabeceira da cama aberto como se convidasse ela. Passam páginas, imagens, títulos e palavras... Dessa vez ela fecha o livro e abre numa determinada página. - Eu finalmente te encontrei. Numa mistura de sorrisos e lágrimas vê a foto dele pregada na página e abaixo da foto uma frase que dizia: - "O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar." Ela toca na foto, sente uma enorme dor no peito. Pensa em ligar, já que nos folheios finalmente se lembra do número. Desiste. - Desisto. Fecha o livro. Agora mais nada existe. O resto é a televisão, ver os programas de moda para acalentar o coração. Gerlane se fincou. Naomi sempre sonhou. E Naomi não viajou...

ISRAEL PEDE UM REI

Para onde segue o caminho?
Não enxergamos mais o inferno.
Cegos encastelados.
 Cada um em seu destino.
Reis de ferro.
Cada terra um ninho.
Degenera.
Da pedra ignorante filosofia se faz.
Buscar vidas pra comprar o metal que todo achar.
Vidas buscar pra achar o metal que todo conquistar.
Esqueça o preço.


Andarilhar é meu pesadelo.
Sou rei.
Me vendo pra poder comprar.
Me prendo pra poder escapar.
 Química, Astrologia, Magia, Filosofia, Metalurgia, Sofia, Matemática, Misticismo, Religião, Luzia.
 Você dorme durante a noite?
 Mesopotâmia, Egito, Arábia, Mundo Islâmico, Andarilhos, Coreia, Grécia, China, Filos, Filhos de quem? Somos Reis.
 Que valores têm?


 A habilidade é o lixo.
A destreza nosso lixeiro.
Porque pedistes um rei?
 Pagas agora teu preço.
 Tudo pelo metal que tudo compra.
O metal que busca vidas pra comprar.
 O metal que busca vidas pra comprar.
 O metal que busca vidas pra comprar.
 A vida se prolonga.

 Transformasse a ignorância em ouro.
O tolo é o mago da ciência.
Filosófica arte?
 Reis buscam formas.
Nem chinesa e nem ocidental.
Constroem a metáfora do moderno.


 Vedes a quem o Senhor escolheu no meio do seu povo?
 Ajoelhamos a ti agora Rei.
Vamos vender tudo o que temos para o metal comprar.
Quero vender tudo o que tenho para o metal comprar.
 O rei se vende para o metal comprar.

Bretagne

“Nunca experimentei o som da tua voz. 
Será que a música nos uniu sem querer?
 Acho melhor crer em um solfejo reprimido. 
Eu conto de cá, você canta de lá. 
 Partituras de diálogos.
 Jogadas em tom de falsetes. 
Até então ninguém dança. Só canta.
 Quero ouvir sua arte, ver além da face. 
 Nunca toquei o seu rosto.
 Quem interpreta, eu ou você? 
Acho melhor parar por aqui.
 Ouço som de água. 
Cachoeira, ribeira... 
Parei. Já falei demais. 
Nunca vi suas mãos.
 Quem vai escrever agora?”
Fonte da foto: http://www.wiki2buy.com.br/Bateria