
- Como queria ser modelo! Deu um suspiro involuntário abraçando-se com o indumento. Naquele momento, pensou: - Vou ligar para ele! Lembrou-se do primeiro encontro que teve com o vestido, foi o maior presente de sua vida. Procura disparadamente o número que tinha anotado com muito gosto, muito amor. De repente para, uma vaga lembrança vem à tona: - Eu coloquei no livro de Literatura! Um medo se instaurou no quarto. Decidiu força a mente. - Folhear aquele livro seria um ato indecente. Disse ela desesperada. - A solução é arrumar a cama! Inquieta ela estava. Enquanto dobrava os lençóis, olhava-se no espelho e perguntava-se: - Como eles vieram parar aqui? Trocou olhares com os livros abertos. Ela preferia conviver com as baratas, ao tocar naqueles livros. - Eram dele. Cai uma lágrima de seu rosto. Lembrou que quandose foi a chamou de superficial. Desde aquele dia convivia com aquela herança intocada, aberta. Eterna ferida que não cessa. Ficou sem palavras e começou a chorar... Com raiva diz: - Superficial é o ca... Pega um livro. - Não o sei o que tem de tanto importante aqui. Folheia o livro. Passam páginas, imagens, títulos, palavras... Finalmente observa uma frase que diz: -“A conquista da liberdade é algo que faz tanta poeira, que por medo da bagunça, preferimos, normalmente, optar pela arrumação." Ela observa atentamente as palavras, mas nada a impressiona. Fecha aquele livro e pega um que estava debaixo da cabeceira da cama aberto como se convidasse ela. Passam páginas, imagens, títulos e palavras... Dessa vez ela fecha o livro e abre numa determinada página. - Eu finalmente te encontrei. Numa mistura de sorrisos e lágrimas vê a foto dele pregada na página e abaixo da foto uma frase que dizia: - "O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar." Ela toca na foto, sente uma enorme dor no peito. Pensa em ligar, já que nos folheios finalmente se lembra do número. Desiste. - Desisto. Fecha o livro. Agora mais nada existe. O resto é a televisão, ver os programas de moda para acalentar o coração. Gerlane se fincou. Naomi sempre sonhou. E Naomi não viajou...
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