
Ardósia era a sua cor favorita. Não era qualquer uma que a satisfazia.
A sua obsessão era tão grande que nem celeste, claro, cobalto, marinho, petróleo em sua roupa cabia.
Tentou um dia usar encarnado, trato este que tinha prometido ao namorado. Oh Céus! Mal colocava e parecia que estava cometendo algum atentado.
Ele por sinal não se importava muito de cor. Rosas, amarelas, violetas, mas ao ver a mulher vestida de vermelho logo lhe subiu um calor.
Aflita ela estava. O único presente que ganhara era tão apertado que incomodava.
Fofinha, Cheinha, Gorduxinha começava a chamar ele. Ela disse benzinho adorei o vestido, mas você reparou nos babados dele?
Ele sorriu fingindo não ouvir, mas tinha percebido que o vestido era tão pequeno que nem um botão de flor passava por ali.
Ela já entediada refletia ele não ta vendo que os babados são gigantes que qualquer pessoa que usasse jamais ficaria elegante?
Ele todo delicado já chamava meu amor, todo carinhoso já percebendo toda a confusão que causou.
Ela com raiva não sabia o que fazer, se dava um tapa nele ou se esforçava para agradecer.
Ele com vergonha decidiu mudar de assunto, disse que dá próxima vez iria dar era um conjunto.
Ela não quis mais saber de promessa, não ia vestir mais nada que não fosse essa.
Ardósia era a sua cor favorita. Não era qualquer uma que a satisfazia.
Mesmo intrigado ele ficava feliz, orava como um bobo apaixonado para que nenhuma ardósia mais chegasse a existir.
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